segunda-feira, outubro 29, 2007
Eu, vocês e o que não mais somos
quarta-feira, outubro 24, 2007
Tempestade de idéias - penúltima semana de outubro de 2007
Viva!
segunda-feira, setembro 17, 2007
Às feridas que nunca se fecham
Não é a mesma coisa que dizer que não tenho lembranças, não tenho sentimentos, mas parece-me cruel que o tempo cure tudo eficazmente. Parece-me cruel não se importar com algo que você tanto se importou por um tempo. Sinto-me cruel por não me importar. Sinto-me cruel por ter te perdoado, ou melhor, nunca te perdoei, apenas deixei de me importar. O ideal humano seria perdoar do fundo do peito, ou então não perdoar e arder de vingança até que esse dia chegue ou até a sua morte: mas não se importar? Que cruel!
Então eu sei que se deixei de me importar com você, se fechei a ferida, posso fechar qualquer uma. E então a vida segue como um joguinho de riscar e apagar. Cortar e costurar. Nada dura, nada fica em seu lugar. O que foi, não é mais e o que sou agora? Um momento. Sou um momento fugaz constantemente analisado por uma “consciência”. Esta, neste momento, incomodada por não encontrar feridas abertas.
Busco intensamente alguma lembrança, algum rastro de coisa ruim: só encontro um. Não sei se é uma ferida aberta, mas estranhamente esse rastro ruim me faz sentir mais humana.
segunda-feira, setembro 03, 2007
terça-feira, agosto 07, 2007
Discussão Pacífica e Sensata Sobre a Legalização do aborto Parte I
Quero com esse texto uma discussão pacífica com quem é contra a legalização do aborto, mas que não tem conhecimento da dimensão que deve ser discutida no governo. Essa posição independe de crenças e ideias (até porque existem instituições de inspiração religiosas que são de acordo com o que falo) e não se trata do “é certo ou não abortar” e sim de uma política de saúde pública que vai muito mais além do que você imagina. Escrevi esse texto a partir de uma posição que é contra o aborto, mas nunca contra a legalização do aborto. Não é exatamente uma posição feminista, pode não ser a minha, mas é uma posição sensata. Por favor, apenas leia.
Mentiras Ditas sobre a Legalização do Aborto Parte I
Se te disseram que legalizar o aborto vai fazer com que todas as mulheres “saiam abortando” todos os dias fetos de até 9 meses de gestação nos hospitais fazendo com que o números de abortos aumentem drasticamente, você foi enganad@ porque:
1) Os números já são drásticos: aproximadamente 1.000 mulheres morrem por ano ao realizar abortos na clandestinidade. Fora essas, soma-se as que não morreram, porém chegaram aos hospitais beirando a morte. Essa soma é aproximada porque para saber o número real de abortos feitos hoje você teria que somar as mulheres que morreram (oficial), as que quase morreram (oficial), mais as que fizeram em casa e não se adoentaram (oculto) e mais todas aquelas riquinhas que fazem em clínicas caríssimas nas melhores condições de saúde de forma clandestina (elegantemente oculto). Ou seja, se o aborto fosse legalizado, o governo teria oficialmente os números de abortamentos e poderia controlar, saber onde tem mais abortos, o porquê e como criar políticas públicas para DIMINUIR esse número de abortos. Sendo o aborto um crime não se tem controle, os números de abortos não diminuem, o número de mulheres mortas aumenta, mulheres são presas, não se discute por que abortaram e nem que o Estado pode fazer para mudar isso.
2) Em todos os países ocidentais em que o aborto foi legalizado há anos, observa-se cada vez mais uma diminuição do número de abortos. Esse é o objetivo: que as mulheres não abortem!!!! Que não precisem passar por isso porque têm informação para planejar uma gravidez saudável junto ou não com seu marido ou sua companheira.
3) Em nenhum país ocidental em que o aborto é legalizado, ele pode ser feito após 3 meses de gestação. Portanto, essas fotos que mostram abortamentos de bebês de mais de 7 meses com o corpo praticamente todo formado são surreais e feitas para fazer crer que a legalização do aborto significa todas as mulheres serem obrigadas a “matar” crianças prestes a nascer. Não será permitido aborto após 3 meses de gestação!
4) Ser contra o aborto é decidir por você. Ser contra a legalização do aborto é decidir por todas. Ser contra o aborto é não achar certo fazer um aborto. Ser contra a legalização do aborto é ser a favor da morte de milhares de mulheres, o que não condiz com uma idéia “pró-vida”. Mulheres essas que você nem conhece e que passaram por coisas que você nem imagina.
terça-feira, março 20, 2007
Parada do Orgulho Hétero em São Paulo
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
A Mulher e o Rock*
Nunca fui muito fã de Barbie ou de "coisinhas rosas" que se mexem e sorriem pra mim. Da mesma forma que na adolescência, meu maior sonho nunca foi ser modelo ou fazer plástica para ter seios maiores. Não... na verdade, eu queria mesmo ter uma banda de rock – isso mesmo, uma banda de rock. Daquelas que viajam pelo mundo e tocam nos bares mais toscos.
Percebe-se que nunca fui o que tipicamente se espera de uma menina. E mesmo em pleno século XXI, algumas pessoas se espantam ao ver mulheres em bandas de rock/metal, seja tocando ou apenas curtindo o som nos shows.
Certa vez, fui ao show de uma banda de death metal. Ao término do show, uma de minhas amigas queria tirar uma foto com o vocalista e fomos pra fila de autógrafos. Atos normais que qualquer fã/admirador@ faria. Enquanto tirava a foto da minha amiga com o vocalista, ouço: Olha aí as meninas se aparecendo pros caras da banda. Pergunto pro infeliz "Como é que é?" Pra piorar a situação, ele ainda tenta se explicar e complementa: Ué, mulher não curte metal. Mulher curte os cabeludos da banda, não é!?
Outra vez, eu não estava na platéia, mas no palco. São inumeráveis os “elogios” que mulheres que estão no palco ouvem. Vai desde “linda, tira a roupa, casa comigo, princesa a desce daí e vem me dar o seu o cú, sua vagabunda!”. Tudo que você imaginar que se refira ao seu corpo e quase nunca ao seu desempenho como musicista. Foda-se o que você está tocando: se subiu no palco “deu” o direito de ser objeto masculino e vai ter que pagar por isso. É um tipo de punição: muitas são palavras de ódio, pelo simples fato de você ser mulher. Então tem que ouvir, quando não ser vítima de um “abraço” suado e um beijo nojento e melado com cheiro de cachaça na bochecha. Sim, se mulher está no palco, eles se sentem no direito de subir para beijar.
Quando penso em experiências como essas, a impressão que me passa é que para ser inserida dentro de um grupo, toda mulher com atitude ou com gosto por músicas mais pesadas, são passíveis de desconfiança e por isso têm que passar por uma "comprovação". Como se tivéssemos que provar pra todos/as que sim, curtimos rock/metal; sim, nos divertimos no show e sim, conheço as músicas da banda. Imagine ter que provar constantemente que você pode tocar metal tão bem quanto um cara. Nós mulheres, estamos sempre em teste.
Ações como as relatadas à cima também são demonstrações de violência contra a mulher. Quando se fala em violência, é comum imaginarmos cenas relacionadas à violência física e sexual, como espancamento, estupro, etc. Mas também existem agressões pouco reconhecidas como a violência psicológica, moral, institucional e patrimonial. É importante ressaltar que o fato de uma violência ser menos reconhecida que outra, não significa que ela será menos importante ou terá menor impacto.
Nas histórias relatadas acima, exemplifiquei a violência psicológica e a moral. Estes tipos de violência se dão no abalo da auto-estima da mulher, por meio de palavras ofensivas, de desqualificação, difamação, proibições de estudar, trabalhar, se expressar, manter uma vida social ativa com familiares e amig@s, etc. Por não resultar em vestígios físicos ou materiais é de difícil detecção, porém também se constitui em violência que pode ser denunciada e julgada.
A violência contra mulher é caso sério e pode acontecer em todos os locais: na escola, trabalho, dentro de casa, entre amigos/as, num simples circular na rua e como vimos, em shows de rock.
Mesmo com toda a resistência às mulheres que formam bandas de rock – resistência que vai desde a falta de apoio da família e amig@s para elas aprenderem um instrumento até a violência moral e psicológica que vão sofrer ao pisar num palco – sempre houve bandas de rock com mulheres. Vimos Janis Joplin, Joan Jett, Sonic Youth, Vixen, L7, Smashing Pumpkins, Kittie, Nigthwish, entre outras lançarem cd’s, criar fãs e admirador@s no mundo todo. O que isso significa? Será que, na verdade, o rock sempre foi um espaço também feminino?
Não. Penso que todo reconhecimento que uma banda com integrante mulher conseguiu foi a custo de sua própria disposição em provar que a banda poderia fazer um som legal e ser ouvida. E aqui eu vejo duas estratégias diferentes que as mulheres acharam para se inserir no rock:
1- Elas fazem parte de bandas mistas, tocam entre homens. Nesse sentindo, a banda busca passar a mensagem que a presença de uma mulher na banda não muda seu desempenho, sua capacidade de compor boas músicas e fazer bons shows. Naturaliza-se a presença da mulher, constituindo “mais uma banda comum”. Nessa, todos os integrantes sobem juntamente e igualmente ao palco e quase todas às críticas direcionadas à mulher, também vão ser recebidas pelos homens da banda – o que gera uma cautela maior do público antes de falar merda.
O problema das bandas mistas é que esse maior “respeito” pela banda, parece-me, ocorre mais para com os integrantes homens da banda - respeita-se a legitimidade que eles deram àquela mulher ao “aceitá-la” na banda – do que para a mulher
2- Elas montam “bandas de meninas”. Para isso é necessária muita astúcia, pois mesmo que não intencionalmente, a mensagem acaba sendo: “Vocês acham que a gente não toca nada e deveria estar rebolando para vocês, mas aí: eu não dou a mínima e se eu subi no palco, tenho o direito de tocar as minhas músicas e vocês vão ouvir.” Independente do discurso da banda de meninas – se são feministas, ou algo diferente – elas constituem bandas ofensivas a boa parte do público masculino do rock.
Poucas chegam a ter o reconhecimento musical que as bandas masculinas e mistas têm. Alguns dizem que “não é porque são mulheres no palco, mas porque tocam mal”. E aqui eu imagino toda a violência psicológica que as mulheres e meninas sofrem quando resolvem tocar um instrumento até toda a pressão de terem que provar aquilo que o público nega-se a aceitar quando sobem no palco para depois dizerem que mulheres “tocam mal”??!!! Muitas pessoas “tocam mal” quando estão aprendendo. A diferença é quando um homem “toca mal” é porque está aprendendo, ou estava nervoso no dia, já a mulher quando “toca mal”, toca mal porque é mulher.
Esse é um dos estigmas das bandas de meninas. Seu problema é que independente do som que toquem, das letras que escrevam, da atitude no palco, da idade das integrantes, são sempre “apenas uma banda de menina”[1]. Porém, elas se tornam mais transgressoras no sentido de que sempre estão lá para lembrar que o rock deve ser um espaço de todos os gêneros, quer queira, quer não. Elas assumem posições de combate a uma idéia estritamente masculina de rock sem precisar do aval de ninguém. Mesmo com todo o estigma de “apenas uma banda de menina”, elas também inspiraram muitas meninas (e até meninos) a tocarem e, também, a assumir posições que desejam, mesmo que não lhe sejam oferecidas.
Podemos dizer que no Século XXI algumas coisas mudaram. Dependendo do lugar, já é comum e naturalizado ver mulheres em bandas de rock e metal. Entretanto, temos que ter consciência que esse espaço ainda é predominantemente masculino e, muitas vezes, violento contra as mulheres. Eu me pergunto para onde o rock quer caminhar com sua plaquinha de “subversão ao sistema” se no seu interior é conservador quanto as posições das mulheres? Que subversão é essa, então? Nenhuma, em minha opinião.
[1] Engraçado, que não existe “banda de menino”, pois banda de menino é quase um pleonasmo. Nossa própria linguagem exclui.
*Escrito por Clarissa Carvalho e Alexandra Martins
domingo, janeiro 14, 2007
"Lésbica denuncia Lesbofobia de boate sertaneja de Goiânia "
"Andréa Angélica de Jesus ,analista de sistema denunciou hoje na
Associação goiana de gays, lésbicas e transgeneros-AGLT que foi vítima de
lesbofobia ( aversão/agressão as lésbicas) na boate sertaneja Eclipse
. No dia 06 de janeiro Andréa e sua companheira A.C.P.M.M foram
agredidas por 15 seguranças da boate, depois de trocaram um beijo em público.
Além da violência física contra as mulheres, a casa de shows eclipse
está sendo denunciada pelo fato da humilhação que as lésbicas foram
submetidas com as palavras de “ baixo calão” desferidas pelos seguranças ,
como vagabundas, aberrações da natureza, safadas. De acordo com Andréa
“ fomos agredidas na maior covardia com socos,socos, tapas, sendo
arrastadas por toda a casa pelos cabelos.Segundo a vítima, seus amigos
gravaram todas as cenas das agressões em aparelhos celulares que foram
retidos pela casa de show e apagados todos os arquivos que tinham sido
salvos, acabando assim, com provas concretas (fotos e vídeos) da ação
dolosa dos seguranças.
segurança e, ao chegarem no local agiram de forma machista, não ouviram
as declarações das lésbicas e as mandavam calar a boca deixando a
insinuar que as mesmas é que eram as culpadas pelo tumulto.
A audiência penal está marcada para o dia
15/02/2007, às 14:30 horas, no JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL, localizado na RUA
RF-13, ESQUINA COM RUA RF-09, RESIDENCIAL FELICIDADE, GOIÂNIA/GO, FONE:
(62) 3207-4522 ."
terça-feira, outubro 24, 2006
Amor
Essa é porque estava ouvindo a música e gosto dessas três frasezinhas salientes. O resto da letra é bem pessimista, se pretende ser frio, mas para mim, na verdade é dor de cotovelo. Então vamos a minha interpretação pessoal parcial egoísta e conveniente:
O que eu gosto dessa idéia de que "se tudo já foi dito e feito, não há amor perdido" é o fato de ir contra essa noção mel com açúcar refinado que nós aprendemos sobre amor.
Porra, se você conhece uma pessoa legal, vai rolar uma comunicação legal e isso vai indo, indo... quando você vê: beleza, vocês está amando! Isso é ótimo (é aí que eu discordo um pouco com o resto da letra), é muito bom sentir algo forte por alguém e rolar uma reciprocidade. Compartilhar sensações, opiniões, contatos corporais os quais não se tem com mais ninguém, etc. Isso é muito bom.
Mas aí: é só isso. Só uma boa comunicação com alguém, que provavelmente tem um prazo de validade muito mais curto do que tem cada vida. Dois caminhos que se cruzaram por um certo tempo. Depois desse tempo, você está sozinho, assim como estava antes e assim como estará novamente em algum futuro. Você vai lá se entrega, abre mão de sua vida para viver uma simbiose, promete um monte de coisas futuras (das quais nem você nem el@ tem controle), acredita nas promessas del@ também, faz planos pensando mais nessa pessoa do que em você mesm@ e aí num certo dia (é sempre uma surpresa) é bem provável que essa pessoa resolva, também, pensar mais nela do que em vocês dois e pronto: Amor perdido. Não faz mais sentido viver, você quer cortar os pulsos, tudo lembra a pessoa, você é nada sem ela, o futuro desaparece da cabeça, o passado se torna dolorido e todas aquelas coisas de novela...
Não! Não há amor perdido se pensarmos que o amor é um tempo massa com validade limitada e que nesse momento você se entregue pensando que era aquilo que queria fazer sem exigir nada de volta e nem que dure para sempre. Não vai durar para sempre. Só você dura para sempre (até morrer obviamente). E isso não é motivo para se arrepender.
Então, aproveite o tempo, diga tudo, seja sincer@, faça tudo o que queira (e possa) com essa pessoa sem cús doces, sem rodeios, sem arrependimentos, sem dívidas até o último dia e pronto: Não haverá amor perdido.
terça-feira, setembro 05, 2006
Surpresa
quarta-feira, junho 21, 2006
Parada do Orgulho LGBTT em Brasília

Uhuuuu!! No próximo domingo, dia 25 de junho, acontecerá a 9.a. Parada do Orgulho GLBTT em Brasília. A parada é uma ótima forma de dar visibilidade a mais uma forma de desigualdade e discriminação que sofrem milhares de brasileiras e brasileiros por causa da sua orientação sexual. Pense que:
* Ocorrem cotidianamente crimes de homofobia, inclusive homicídios, como por exemplo o que ocorreu com um casal de lésbicas no início desse ano em Planaltina: As duas foram enspancadas NA SUA PRÓRPIA CASA e quando a única sobrevivente foi dar parte na polícia, ela foi registrada como um homem (porque era um casal !?!) e quase nada se falou depois do episódio.
* Casais homossexuais que vivem juntos por qualquer que seja o tempo, não podem receber herança depois da morte d@ parceir@.
* A homossexualidade ainda é vista por muitas pessoas como doença e ensinada para crianças de todos os lugares como algo extremamente pejorativo, fazendo parte de brincadeiras para excluir pessoas e constituindo um critério para o tratamento hostil.
*Ainda tem tanta coisa...
Mas o importante é que mesmo recente, existem movimentos em todo o Brasil que estão lutando para dar visibilidade ao problema e propor políticas de combate à homofobia, inclusive temos Projetos de Lei que não podemos deixar que sejam engavetados e esse é um ótimo momento para pressionar. Bem, quanto mais pessoas na parada, mais barulho vamos fazer e mais chamaremos a atenção para o assunto. Semana passada a de São Paulo - que é a maior do mundo - deu 2,5 milhões de pessoas!!! Quantas será que vão à de Brasília?
quarta-feira, março 22, 2006
Pai...

Achei muito legal esse trocadilho. A foto veio de um protesto que um grupo de GLBT cristão fez em frente a embaixada do Vaticano aqui em Brasília no dia 8 de março desse ano, mas pode ser usada para vários momentos (risada maléfica).
Enfim, o protesto ocorreu em reação às políticas de contenção da legalização dos casamentos entre homossexuais pelo mundo incentivadas pelo novo papa Bento Reacionário Queimador de Bruxas da Silva. O grupo, coordenado pelo Estruturação, entregou uma carta de repúdio para ser enviada ao reacionário acima. " Colocar-nos como 'doentes', 'desviantes da natureza' e 'gente pela metade' é propagar e fundamentar atos de violência e exclusão de homossexuais, bissexuais e transgêneros", dizia o documento. Em outro trecho, o ponto destacado foi a crença religiosa. 'O mundo só aceita a fé se ela viver dentro e para o respeito.' O protesto terminou com todos orando o Pai Nosso por uma fé que não discrimina. "
...
quarta-feira, março 08, 2006
8 de março, Dia Internacional da Mulher
Eu sei que no ano passado fiz um post parecido, mas não consigo conter esse desabafo... No dia 8 de março, além de um bombom,
* Quero ter o poder de decisão sobre o meu corpo. Quero que seja respeitada a sua configuração estética, o uso sexual que faço dele e a opção de dispo-lo ou não para a maternidade. Além disso, quero que meu corpo não seja mais o meu cartão de visita, a razão de meu viver e o critério para que me respeitem. Quero ser ouvida e respeitada pelo que sou e pelas minhas realizações como ser humano. E garanto que sou muito mais que um corpo.
* Quero que nós, mulheres de todas as rendas, tenhamos acesso a um serviço de saúde seguro para que tenhamos filhos saudáveis; que tenhamos acesso a métodos contraceptivos e que tenhamos acesso ao aborto legal e seguro, ao invés de sermos taxadas de criminosas por estar passando por dificuldades. Quero que seja lembrado que o aborto inseguro é a quarta razão de morte materna e que muitas mulheres não têm voz perante o parceiro para decidir sobre a prevenção de gravidez indesejada, sob pena de sofrer violência. Ao invés de parabéns pelo nosso dia, prefiro que o Projeto de Lei que analisa essa importantíssima questão de saúde pública não desapareça nas gavetas do legislativo.
* Quero que não exista algum um tipo de violência contra a mulher: nem física, nem psicológica, nem moral, nem patriomonial. Para isso, ao invés de ganhar rosas nesse dia, quero que os Projetos de Leis para a prevenção e combate da violência contra a mulher não sejam deixados de lado na Câmara, sabendo que 23% das mulheres são sujeitas a agressões em casa, segundo dados do Banco Interamericano para o Desenvolvimento e sabendo que no estado de Pernambuco, só em 2006, cerca de 74 mulheres já foram assassinadas, em sua maioria crimes de violência doméstica.
* Quero que possamos trabalhar em qualquer área que desejarmos e receber salários que paguem pelo nosso trabalho e não que paguem pelo nosso sexo. Assim como quero entrar nos ambientes políticos e encontrar homens e mulheres decidindo pelo futuro do nosso país e não apenas homens decidindo enquanto mulheres limpam o chão dos plenários. E falando em limpar chão, quero que o trabalho doméstico seja formalizado, e que ess@s profissionais tenham direito a uma aposentadoria digna, já que constituem 18% d@s trabalhador@s do Brasil (IBGE). Não quero elogios pelo fato de trabalharmos fora e dentro de casa. Mas que se tenha consciência de todo um silêncio sobre a desvalorização das atividades domésticas consideradas obrigações das mulheres. Quero que se lembrem que quando se fala da conquista do mercado de trabalho, pouco se falou sobre como pouco mudou dentro de casa.
*Quero que não exista mais uma educação sexista que remeta papéis fixos e desiguais para homens e mulheres. E que as crianças aprendam, não apenas nas escolas, mas também na família e na mídia, que tod@s temos capacidades iguais e que devemos ter oportunidades iguais para escolhermos nosso futuro.
Para as mulheres realmente entendem a importância do dia 8 de março - assim como lutam, mesmo que em pequenas atitudes cotidianas pelo respeito às diferenças e pela igualdade – desejo muitas felicidades e força. Para as que acreditam que o dia 8 de março serve para parabenizar pelo quanto são belas e merecem ganhar batons, desejo muita reflexão.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Esse é o rei!!!

Enquanto não termino a parte II do texto anterior e já que comentários para os textos estão um pouco raros, vou mudar um pouco minha tática e dar uma de flogueira. Mais uma homenagem a esse cara demais, que só se compromete a uma coisa: experimentar na música. Faith no More foi só o mais popular, esse cara ainda fez e faz muita coisa, tem milhões de projetos paralelos um nada a ver com o outro e tudo de muita qualidade: Vide Mr. Bungle, Lovage, Tomahawk, Fantomas, General Patton and the Executioners (é assim que se escreve?), entre outros que esqueci aqui.
You fuckin bastard, best musician in the (my) modafoka world!!
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Rei por um dia, idiota pelo resto da vida PARTE I
.
Look !
(we’re on the ground)
Never cheer before you know who’s winning
(don’t make a sound)
.
Sniff the glass and let it roll around on your tongue
Let me introduce you to someone before the party is done
Someone to look to in need or in want or in war
If you give him everything, he may give you even more
.
This is the best party I’ve ever been to
.
Don’t let me die with that silly look in my eyes
Rei por um dia
.
Não é um bom dia, se você não está com uma boa aparência
Essa é a melhor festa em que já estive
Hoje eu pedi para Deus derramar um pouco de vinho em meus olhos
Hoje eu pedi para alguém jogar um pouco de sal na minha vida
.
Olhe!
Tudo está girando
(estamos no chão)
Nunca brinde antes de saber quem vai ganhar
(não faça som)
.
Aspire o cristal e deixe-o rolar pela sua boca
Deixe me te apresentar alguém antes que a festa acabe
Alguém pra se olhar na necessidade, ou no desejo, ou na guerra
Se você der tudo para ele, ele pode te dar ainda mais
.
Essa é a melhor festa em que já estive
.
Não me deixe morrer com essa cara de bobo
.
.
.
A letra também me faz pensar naquele dia em que tu se viste jogando e se achou um@ bob@, um imbecil. Tocou o foda-se e se drogou pra comemorar a falta de graça da imbecilidade hipócrita que é a vida. Sinto-me assim muitas vezes.
Ou então, aquele dia que era pra ser O dia. Estava tudo nas suas mãos, aparência, companhia, lugar, oprotunidades... Então você tem que aproveitar, jogar com a maior garra, memso sem saber o que está acontecendo, quem está ganhando. Jogar por jogar, porque é disso que a vida é feita, tem que ter emoção, vinho nos olhos, sal na vida, cocaína no ego, vitória!! Vitória: a coroa na cabeça sendo bem exibida para todos saberem quem é que se deu bem, quem é inteligente, que tod@s amam, que tod@s invejam. Um dia é você, outro dia sou eu, outro dia.... E assim segue nossa vidinha de merda nesse jogo* em que mesmo sem saber quem tá ganhando, você nunca pode ter cara de perdedor@, cara de bob@. Nunca pode desistir, sempre deve fugir da humilhação – enquanto esta te persegue até quando vais cagar no banheiro – e mesmo se ela te pegar: não perca com cara de bob@!!!
.
O que eu acho mais interessante na história toda é o título do cd: “Rei por um dia, idiota pelo resto da vida”. É isso que somos: um bando de idiota lutando pela coroa do prestígio. “Olha só como emagreci. Ninguém me segura”. “Primeiro lugar no concurso”. “Melhor nota da sala”. “Consegui manter um casamento de 25 anos (imaginem como!- grifo meu)”. “Diploma de direito numa federal com apenas 22 anos de idade”. WHO CARES??? Enfia essa coroa no cuzão. Isso, morra de fome, sofra nas academias, torne seu corpo mais importante que tudo e depois reclame que não te reconhecem pelo que és por dentro**. “Primeiro lugar no concurso” – Que diferença faz? vai trabalhar tanto quanto @ últim@, imbecil. “Melhor nota da sala”: Então, por isso, você é a enciclopédia de todo o conhecimento humano? Não, beibi, foi só uma prova, pela qual os outros não estavam se importando. Você ainda tem muito o que aprender. Inclusive como transar com uma pessoa que você não está a fim, para manter uma instituição que coloca pessoas no mundo, xaropa estas, brigam todos o ano inteiro, mas no natal tem que estar todo mundo lá bonitinho pra foto com a coroa de “família unida” na cabeça. Essa coroa é um blefe, o reconhecimento momentâneo padronizado para disputa entre egos. Ela não te responde tuas maiores dúvidas, ela não te dá aquele sentido que procuras, ela não te traz de volta aqueles que foram embora por motivos mais importantes que a tua coroa. Ela não vai valer amanhã de manhã. Você é nada, só mais um ser humano como eu, como abelhas envolta do mel. Titicas de galinhas no universo filosofando, interpretando, significando, classificando, excluindo, usando, magoando, comemorando. Rei por um dia, idiota pelo resto da Vida.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Bem lá dentro
quarta-feira, dezembro 28, 2005
As garotas só querem se divertir
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Hipocrisia
mas critique aquilo que eu considerar criticável, me disse o mundo.
Não acredite em tudo sem antes questionar, me disse a vida,
mas, por favor, não questione a verdade, me disse o mundo.
Reveja seus conceitos, me disse a propaganda,
os de moda e consumo, me disse o mundo.
Você é lind@ de qualquer jeito,
desde que não engorde, seja branc@ e se vista bem – para não esconder sua “beleza”, me disse o mundo.
Busque a verdade,
mas a minha verdade, me disse o mundo.
Você é um ser humano, me disse a vida,
Exceto pelo fato de ser mulher, me disse o mundo.
Respeite a diversidade, me disse a moral,
mas não tente entendê-la, me disse o mundo.
Tenha uma opinião formada, me disse alguém,
mas se não concordar com a minha, guarde ela para você, porque não quero ser convencido, me disse o mundo.
Você é livre para pensar, me disse @ filósof@,
só para pensar, me disse o mundo.
Você é livre para amar, me disse a novela,
mas apenas uma pessoa, só se for para sempre e acabar em casamento - e automaticamente em uma família. Esse amor, também, só vale se ocorrer entre pessoas de sexos diferentes que estejam dispostas a se tornar uma entidade simbiótica abençoada por Deus.
Você é mulher, me disse a vida,
então você é mãe, me disse o mundo.
Lute pelos seus direitos, me disse @s esperanços@s,
mas deixe que minha religião legisle e aprove suas atitudes, me disse o mundo.
Ame a vida, me disseram @s “bo@s”,
a sua, a de seus próximos, as dos fetos de todas as mulheres que tiveram de abortá-los e de ninguém mais, me disse o mundo.
Mude!
os móveis de lugar e a cor do seu cabelo, me disse o mundo.
Mude!
mas não subverta e não desconstrua, me disse o mundo.
Mundo! Vá tomar no cú, disse eu.
quarta-feira, novembro 23, 2005
Mais sobre aquele programa homofóbico de televisão
Após a emissora descumprir a determinação judicial que ordenava a exibição de programas de direitos humanos no mesmo espaço ocupado pelo apresentador, a Justiça ordenou a interrupção do sinal da emissora, pelo prazo de 48 horas. A medida foi cumprida na noite do dia 14 de novembro. No dia seguinte, a emissora se dispôs a negociar com os Autores da ação para conseguir o retorno das suas transmissões.
Se você ou sua organização tem documentários, entrevistas, debates ou qualquer outra produção para TV que aborde a temática dos direitos humanos, entre em contato conosco. Vamos construir o "Direitos de Resposta" a partir de programas audiovisuais já produzidos pela sociedade, que tratem de temas de direitos humanos tais como diversidade cultural, reforma agrária, trabalho escravo, igualdade racial, de gênero e orientação sexual, exclusão social, violência, criança e adolescente, educação, saúde, democracia, entre outros. Como vamos ao ar a partir do dia 5 de dezembro, o prazo para o recebimento destes materiais é o dia 28 de novembro (segunda-feira). O material recebido será selecionado por um comitê formado pelo Ministério Público e pelas entidades que assinaram a ação civil pública que resultou no direito de resposta.
A qualidade das produções, principalmente de som e imagem, será um dos critérios de seleção. Junto com as fitas, é necessário que sejam enviadas as seguintes informações de cada programa:
Título - Sinopse básica - Formato suporte - Duração (no caso de programas mais longos, é fundamental que o trecho selecionado seja indicado com o respectivo time code, duração do bloco e duração total do programa) - Ano da produção - Realizadores. Também é IMPRESCINDÍVEL o envio de DUAS VIAS do termo de cessão de direitos autorais assinado por um representante da entidade ou do produtor independente. Não haverá nenhuma forma de remuneração por essas produções. Todas serão utilizadas exclusivamente pelo "Direitos de Resposta". Os vídeos devem ser enviados nos formatos BetaCAM, DVCAM ou Mini DV (fitas VHS não serão consideradas em função da baixa qualidade para reprodução) para o endereço:
Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
Rua Rego Freitas, 454, 8º andar
CEP 01220-010, Vila Buarque - São Paulo, SP
direitosderesposta@intervozes.org.br
Wellington Costa (11) 8224-4290
Marcelo Dayrell (11) 8326-3040
Marcelo Gil ou Eder (11) 6831-1641
Fernando Quaresma (11) 9264-7215 "
